Bahia registra aumento de 76,1% em casos confirmados de Covid-19 em agosto

Apesar do aumento significativo no número de casos confirmados da doença em julho e agosto, houve uma redução de 48,8% em comparação com o mesmo período do ano passado

A Bahia tem enfrentado um aumento significativo nos casos de Covid-19, com um crescimento alarmante de 156,9% em julho em comparação com junho. Em agosto, ainda em andamento, os dados mostram uma elevação adicional de 76,1%, o que sugere uma possível retomada na disseminação do vírus. De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), houve um aumento na positividade dos casos de Covid-19 nas unidades sentinelas da Síndrome Gripal entre as semanas 27 e 33 de 2024.

Segundo Vânia Rebouças, coordenadora do Programa Estadual de Imunizações – DIVEP/Sesab, o rinovírus foi o patógeno predominante, indicando a circulação de outros vírus respiratórios além do SARS-CoV-2. Ela ressalta que, apesar do aumento na positividade para Covid-19, a presença de outros patógenos respiratórios está contribuindo para a carga de doenças respiratórias na população.

Além disso, Rebouças observa que, em 2024, 5% dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) foram causados pela Covid-19. Nas últimas sete semanas epidemiológicas, houve um leve aumento nos casos de SRAG relacionados à Covid-19, com 50 casos e 4 óbitos registrados.

Apesar do aumento significativo no número de casos confirmados da doença em julho e agosto, houve uma redução de 48,8% em comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2023, foram registrados 36.211 casos, enquanto em 2024, a Sesab confirmou 18.543 casos e 105 óbitos, sendo 59 homens e 45 mulheres. A faixa etária mais afetada é a de 40 a 49 anos, representando 20,4% dos casos, com 34,6% do sexo masculino e 65,4% do sexo feminino.

Salvador lidera os números de infecção com 5.104 casos confirmados, seguida por Eunápolis (377), Teixeira de Freitas (370) e Feira de Santana (340). Salvador também apresenta o maior número de óbitos, com 33 mortes, enquanto Vitória da Conquista e Feira de Santana têm 8 e 7 óbitos, respectivamente.

A infectologista Lorena Galvão, do Hospital da Bahia e Santa Izabel, explica que o aumento dos casos nos meses de julho e agosto, reflete a circulação contínua do vírus e o surgimento de novas variantes. Ela ressalta que períodos frios e secos favorecem a aglomeração em ambientes fechados, o que contribui para a disseminação do vírus. A especialista recomenda a continuidade das medidas básicas de higiene, como o uso de álcool em gel, e a atualização da vacinação contra a Covid-19. Além disso, enfatiza a importância do isolamento de pessoas com sintomas respiratórios para conter a propagação do vírus.

Embora a vacinação seja eficaz na prevenção de formas graves da doença, a infectologista esclarece que não impede completamente a infecção. A vacina protege principalmente contra quadros graves, mas não elimina o risco de contrair a doença, como demonstrado pelo caso da apresentadora Ana Maria Braga, que testou positivo pela quarta vez e precisou se afastar do programa “Mais Você”. A exposição a diferentes variantes do vírus e o risco de reinfecção não estão necessariamente relacionados à imunização.

A especialista alerta que a falta de um esquema vacinal completo aumenta o risco de complicações graves e hospitalização. Pessoas que não completaram o ciclo de vacinação estão mais vulneráveis a formas severas da doença, incluindo o óbito.

A filósofa e terapeuta Heloana Rafaela Rocha Accioly Lins compartilhou sua experiência pessoal, relatando que, apesar de ter completado todas as doses da vacina, contraiu a Covid-19 pela terceira vez este ano. Ela observou sintomas diferentes dos primeiros episódios, como dor de cabeça, náuseas e muito sono. Após confirmar a infecção com um teste, ela se isolou e utilizou máscara para proteger aqueles que vivem com ela. Após cinco dias, o teste deu negativo.

Fonte: Tribuna da Bahia

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