Sonhos ajudam mente a organizar informações na memória

Se você não tem nenhum distúrbio do sono, pode estar certo de que sonha entre 1h30 e 2h todas as noites.

Está na hora de dormir. Durante o sono, você perde calor, seus batimentos cardíacos e pressão arterial diminuem, a frequência respiratória desacelera, ocorre um relaxamento muscular. Mas, à noite, há uma luz que nunca se apaga e onde o trabalho nunca para: seu cérebro. Ele não desliga e, na hora de sonhar, agita boa parte do sistema.

Se você não tem nenhum distúrbio do sono, pode estar certo de que sonha entre 1h30 e 2h todas as noites. Não importa que não lembre, você sonha. Não é tudo de uma vez, como um episódio de uma série, mas parcelado entre quatro a seis vezes durante a noite, principalmente quando ocorre o sono REM (também conhecida como a fase em que os olhos mexem).

“Toda essa movimentação acontece porque durante o sonho o cérebro realiza um grande recrutamento de neurotransmissores. Ele é tão intensamente ativo sonhando quanto na vigília”, explica Monica Andersen, diretora do Instituto do Sono e professora do departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Agora é a hora que você pode estar se perguntando: tudo isso para quê? Afinal, por que sonhamos?

De acordo com Monica Andersen, uma delas é que o sonho seja fruto de uma organização das informações que a gente vivencia no cérebro. Uma parte desses dados seria jogada fora e o que é relevante é separado para ser armazenado na parte da memória.

Por isso, mesmo você morrendo de saudades de um ente querido talvez não sonhe com ele com a frequência que gostaria, mas seu colega chato de escritório aparece diversas noites: são informações novas a serem processadas.

Outra hipótese é a da consolidação da memória. Durante o sonho, essas informações seriam guardadas em gavetas para que, no momento oportuno, possam ser usadas.

“Evidências mostram que quando a pessoa não tem sono REM de qualidade e quantidade tem piora cognitiva, em especial da memória”, afirma a diretora do Instituto do Sono.

Há quem diga que sonhar é fundamental para o desenvolvimento do sistema nervoso e do cérebro. Daí vem a hipótese do sentido de aprendizado. Estudos revelaram que, nos primeiros dias de vida, cerca de 50% do tempo dormindo do bebê é sonho REM, com sonhos.

“Isso num cérebro que vem com HD zero. Por quê? Acredita-se, não tem como provar, que é o amadurecimento desse cérebro, porque não há nenhuma fase em que uma pessoa vai aprender tanto”, diz a diretora do Instituto do Sono. Já quando adultos, esse período passa para 23 a 25% do tempo de sono. Há também quem diga que o sonho é uma vivência inusitada de fatos que de alguma forma marcaram presença no seu dia, coisas do subconsciente que reaparecem aleatoriamente.

 

 

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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